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Extração e Produção
O ponto de partida na busca
do petróleo é a
exploração que realiza os estudos preliminares para a
localização de uma jazida. Para identificar o petróleo
nos poros das rochas e decidir a melhor forma de extraí-lo das
grandes profundidades na terra e no mar, o homem utiliza os conhecimentos
de duas ciências: a Geologia e a Geofísica.
A Geologia realiza estudos na superfície que permitem um exame
detalhado das camadas de rochas onde possa haver acumulação
de petróleo. A Geofísica, mediante o emprego de certos
princípios da física, faz uma verdadeira radiografia
do subsolo.
Um dos métodos mais utilizados por essa ciência é o
da sísmica, que compreende verdadeiros terremotos artificiais,
provocados, quase sempre, por meio de explosivos, produzindo ondas
que se chocam contra a crosta terrestre e voltam a superfície,
sendo captadas por instrumentos que registram determinadas informações
sobre o subsolo.
Após o conhecimento adquirido por essas duas ciências,
os pesquisadores montam um painel de conhecimentos sobre a espessura,
profundidade e comportamento das camadas das rochas sedimentares que é o
refúgio do petróleo e do gás. Esses conhecimentos
levam à definição do melhor ponto para que possa
haver a perfuração do solo, embora ainda não seja
possível nesta fase afirmar com segurança se há petróleo
no subsolo.
Perfuração: Sondas
e Plataformas
A perfuração é a segunda etapa na busca de petróleo.
Ela ocorre em locais previamente determinados pelas pesquisas geológicas
e geofísicas. Para realizá-la, perfura-se um poço
- o pioneiro - mediante o uso de uma sonda.
Comprovada a existência do petróleo, outros poços
serão perfurados para se avaliar a extensão da jazida.
Essa informação é que vai determinar se é comercialmente
viável ou não, produzir o petróleo descoberto.
Caso a análise seja positiva, o número de poços
perfurados forma um campo de petróleo - poço de desenvolvimento.
Como o tempo de vida útil de um campo de petróleo é de
cerca de 30 anos, a extração é feita de forma
racional para que esse período não seja reduzido.
Para cada 100 poços perfurados em busca de confirmação
dos indícios geológicos e geofísicos de óleo
e gás natural, a Petrobras está tendo sucesso em 35%, índice
acima dos obtidos no mundo inteiro, que fica em torno de 20%.
O Brasil domina a tecnologia de perfuração submarina
em águas profundas e ultraprofundas, superiores a 2000 metros,
e detém o recorde mundial de perfuração exploratória
no mar, com poços em lâminas d'água de 2777
metros.
- Sondas:
As sondas utilizadas na perfuração de poços
de petróleo são classificadas de acordo com sua utilização
como terrestres ou marítimas.
Se a perfuração ocorrer em terra - conhecida como onshore
-, o equipamento utilizado possui brocas que giram para romper a
rocha, trazendo até a superfície o material extraído
do subsolo.
As sondas de perfuração terrestres são muito
semelhantes. Uma das variáveis é o transporte para
chegar ao local a ser perfurado: nos de fácil acesso, é feito
por estradas, enquanto que nos mais difíceis, como, por exemplo,
ilhas ou florestas, há a necessidade de embarcações
ou helicópteros.
O sistema de perfuração marítima, offshore,
segue os mesmos moldes da terrestre, contudo, as sondas marítimas
diferem entre si por se adequarem às diferentes profundidades
em que atuam. Esses equipamentos são instalados em plataformas
fixas, móveis ou sobre navios.
- Plataformas Fixas:
São instaladas em campos localizados em lâminas d'água
de até 200 metros. Elas possuem a vantagem de serem completamente
estáveis até nas piores condições do
mar.
Em todo o mundo, essas plataformas utilizam, com maior freqüência,
estruturas moduladas de aço - a outra opção é o
concreto. A instalação dos equipamentos no local de
operação é feita com estacas cravadas no solo
marinho.
Estes verdadeiros "gigantes de aço" são projetados
para receber todos os equipamentos de perfuração, estocagem
de material, alojamento de pessoal e todas as instalações
necessárias para a produção dos poços
de petróleo.
Plataformas móveis:
Auto-eleváveis: Plataforma marítima com três
ou mais pernas de tamanho variável, que pode ser posicionada
em locais de diferentes profundidades, em lâminas d'água
entre 5 e 130 metros - na zona situada entre a praia e o início
dos abismos oceânicos.
O sistema é composto por uma balsa de casco chato e largo,
triangular ou retangular, que suporta as pernas. O transporte da
plataforma até o local de perfuração dos poços
exploratórios é feito por rebocadores ou por propulsão
própria.
Quando chegam ao local, suas pernas são arriadas lentamente,
por meio de macacos hidráulicos ou elétricos, até o
fundo do mar. Seu casco fica acima do nível da água,
a uma altura segura e fora da ação das ondas.
Semi-submersíveis: plataformas flutuantes constituídas
de uma estrutura de um ou mais conveses. O apoio e feito por flutuadores
submersos que sofrem movimentação devido à ação
das ondas, ventos e correntezas.
Este tipo de plataforma fica situado na superfície do mar
para que sofra menor impacto das condições impostas
por ele. Além disso, possui um sistema de ancoragem ou de
posicionamento dinâmico.
Ancoragem: esse sistema restaura o posicionamento original pela ação
de 8 a 12 âncoras e cabos (e/ou correntes) fixados no fundo
do mar e que funcionam como molas, produzindo esforço capaz
de reagir ao efeito das ondas, ventos ou correntezas.
Posicionamento dinâmico: as plataformas que utilizam esse sistema
não possuem ligação física com o fundo
do mar, exceto pelos equipamentos de perfuração.
Elas possuem sensores acústicos que identificam a deriva.
A restauração da sua posição flutuante é feita
por propulsores presentes no seu casco, acionados por computador.
A profundidade de operação das plataformas que apresentam
sistema de ancoragem é limitada, enquanto que as que utilizam
o posicionamento dinâmico podem perfurar em águas de
cerca de 500 metros de profundidade.
Plataforma de pernas atirantadas: unidades flutuantes que possuem
estrutura semelhante à da plataforma semi-submersível.
A diferença entre elas ocorre no sistema de ancoragem no fundo
do mar.
A ancoragem é feita por meio de estruturas tubulares, com
tendões fixos no fundo do mar por estacas e mantidos esticados
pelo excesso de flutuação da plataforma. Esse sistema
proporciona uma maior estabilidade da plataforma porque diminui drasticamente
os seus movimentos. Com isso, as operações de perfuração
e produção se assemelham às executadas em plataformas
fixas.
- Navios-Sonda:
São navios projetados para explorar poços submarinos
situados em águas muito profundas. Eles possuem uma abertura
no centro do casco por onde passa a coluna de perfuração.
Da mesma forma que as plataformas semi-submersíveis, os navios
mais modernos são equipados com sistemas de posicionamento
dinâmico. Por meio de sensores acústicos, propulsores
e computadores, são anulados os efeitos do vento, ondas e
correntezas, que geralmente deslocam o navio de sua posição.
A utilização dos navios-sonda em perfurações
proporciona algumas vantagens em relação aos outros
tipos de plataformas: grande capacidade de estocagem, perfuração
de poços em qualquer profundidade e operação
sem a necessidade de barcos de apoio ou de serviços.
Plataformas tipo FPSO - Os FPSOs (Floating, Production, Storage and
Offloading) são navios com capacidade para processar e armazenar
o petróleo, e prover a transferência do petróleo
e/ou gás natural. No convés do navio, é instalada
um planta de processo para separar e tratar os fluidos produzidos
pelos poços. Depois de separado da água e do gás,
o petróleo é armazenado nos tanques do próprio
navio, sendo transferido para um navio aliviador de tempos em tempos.
O navio aliviador é um petroleiro que atraca na popa da FPSO
para receber petróleo que foi armazenado em seus tanques e
transportá-lo para terra. O gás comprimido é enviado
para terra através de gasodutos e/ou reinjetado no reservatório.
Os maiores FPSOs têm sua capacidade de processo em torno de
200 mil barris de petróleo por dia, com produção
associada de gás de aproximadamente 2 milhões de metros
cúbicos por dia.
- Extração e Produção:
A fase de extração do petróleo começa
após a avaliação da extensão da jazida.
Em cada poço é introduzida uma tubulação
de aço na superfície até o fundo, chamada de
revestimento.
O espaço entre as rochas perfuradas e o revestimento é preenchido
com cimento para impedir a comunicação entre as várias
zonas porosas que foram atravessadas pelo poço. O passo seguinte é descer
o canhão pelo interior da tubulação de aço.
Essa ferramenta perfura o revestimento e o cimento criando uma comunicação
entre a jazida e o interior do poço.
Os fluidos que migram da rocha geradora são extraídos
através de uma coluna de produção - tubulação
de menor diâmetro introduzida no revestimento, enquanto que
o controle da vazão espontânea desses fluidos é realizado
pela árvore de natal - nome dado ao equipamento composto por
um conjunto de válvulas instalado na superfície do
poço.
Quando o óleo não consegue ser extraído dos
poços pelos processos naturais (surgência) e artificiais
(elevação artificial), é utilizada a recuperação
secundária, cujo objetivo é também maximizar
o volume de petróleo a ser produzido das jazidas (extraído).
Nos poços surgentes, o óleo chega à superfície
espontaneamente, impelido pela pressão interna dos gases,
em outros, como a pressão interna é reduzida, são
necessários processos mecânicos que suprem a pressão
dos gases no reservatório, isto é, eles elevam artificialmente
a pressão interna dos gases.
Os processos de elevação artificial têm como
objetivo maximizar o volume de petróleo a ser extraído.
Os mais utilizados na indústria de petróleo são:
bombeio mecânico, bombeio por cavidades progressivas, bombeio
centrífugo submerso, bombeio hidráulico e elevação
pneumática ou gás-lift.
A recuperação secundária pode ser realizada
por técnicas tradicionais que são a injeção
de água (ou de gás) ou através de técnicas
mais sofisticadas, como por exemplo, a injeção de gás
carbônico e de polímeros, entre outras.
Ao se descobrir petróleo, pode-se encontrar também
gás natural. Isso acontece, principalmente nas bacias sedimentares
brasileiras, na qual o gás aparece dissolvido no petróleo.
Este duplo achado recebe o nome de gás associado ao petróleo.
Dos campos de produção em terra ou no mar, o petróleo
e o gás seguem para o parque de armazenamento, onde ficam
estocados. Este parque é uma grande área na qual se
encontram instalados diversos tanques que se interligam por meio
de tubulações. |